14 dicembre 2007

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No ônibus, perto do meio-dia, ao menos seis pessoas de olhos fechados.
(Prováveis os doze castanhos, um tom sobre o tom da pele de meus conterrâneos no Brasil.)

Das quatro bundas de meninas
ao alcance do meu olhar
três vestem calça jeans
com adereço de brilhantezinhos, "strass"

Numa noite de novembro, estive de bobeira com minha irmã
desgrudando da calça nova
bolinhas de strass. Demos risada porque ficaram muito simpáticas
feito estrelas no chão do quarto.

(Os meus olhos são de castanha também,
ainda que um querido tenha dito jabuticaba
e talvez outro mel.)

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bem possível:
tudo o que escrevo e destino até
tem sido o puro exagero

e como é sempre
isso há de vir da própria matéria das palavras, que são
um sopro,
mas que o modo formol retém
nos itens enviados


importante:
se eu me dispusesse à computação
fazia um gif animado
em que " da própria matéria das palavras"
se alternava com "dos anseios-coração"

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ficam renitentes no pensamento também. ai! querendo me compor na firmeza,
desdenho tudo o que tiver mandado
antes de entrar na madrugada. é! qualquer movimento que segue em direção.

13 dicembre 2007

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porque às vezes parece que se eu começasse a adentrar no universo não ficaria nenhuma palavra sustenta que resistisse à composição de um

sabe? como quando se tira as camadas, no centro não se alcança um vazio?

2 dicembre 2007

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não afobar a cena do amor
ou fazer tudo isso, fazer de tudo isso o oposto, tanto fazer

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uma escrita que nunca teve noção de seu trajeto
desse mesmo jeito eu te escreveria
num gesto contínuo
que quando segue um ramo desde o outro
até sabe que um dia houve tronco
mas não se prende à lembrança,
já não se lembra de ter havido muitos galhos
ou alguma possibilidade de indecisão

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tudo isso é tão pequeno

que uma onda de mar seria
o puro caldo espesso da vida provisória

e pra ver isso
os olhos têm de abrir na água um pouco quente

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o teu nome
tem tantos contornos, quebra dos caminhos da cidade
que uma pessoa pode mesmo passar uma vida seguindo a si própria
e até desse jeito vai estando perto de você

25 ottobre 2007

...
e, no passo que me dei conta,
havias morado enfim
no mundo de minha terra.

(só resta saber
se eu ainda sou teísta.)

30 ottobre 2005

ah, sim! quanta palavra 'deus' reparei abaixo! e eu cá sem nenhuma certeza divina, com a pequena experiência terrena...

25 ottobre 2005


e da fraqueza que não se desse em termos de força, o que faria?

o acolhimento frágil por quem a si tampouco sustenta, os olhos sorrindo só muito depois. Pois eram cílios construídos sobre: força de cílios. E no entanto um dia se quis, se desejou fervorosamente por um simples querer, tirar a sorte através de dedos e um cílio. O jogo ciliar que termina no pescoço. E, dos dois, ele é quem tinha os curtos pêlos agarrados às pálpebras, resistentes (fortes). Mas se tanto queria tocar-lhe o dedo com seu próprio, e se para isso ter de ter os olhos mais carecas...não eram desistentes, capituláveis, aqueles? Se para chegar a ela.
O que cede, a fraqueza nascida de uma força morta, não terá o brilho de um Deus parido de ventre cético?

e o que faremos, do que amolece? A ver nossos olhos sorrindo muito, depois.

8 ottobre 2005

sêmen

não há quem saiba se mentes
enquanto plantas em mim
essas esquisitices.
risonho,
sonhando florestas
de nossas sementes:
coisa risível.
só que só rio: sem escárnio.
porque te gosto. e forte.

9 agosto 2005

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.Em português
até o silêncio.
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4 maggio 2005

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eu tenho sonhado atear fogo em meu estandarte.
por enquanto tem uma ponta sua amarrada em mim,
e a cada passo que eu dou ele se desfia. assim espero.

mas tem sido devagar porque durmo demais

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8 aprile 2005

verão de seis dias por sete, de dia a cabeça se dói.
sem óculos o olho s'empoeira. ó de s dá tonteira o que dificulta atravessar rua
"os objetos podem estar mais perto do que aparecem"
mesmo os olhos sendo escuros se assustam com tamanho brilho de dias,
estão atrás de vidros enquanto querem olhar nos outros.
e mais: querem tão perto feito beijo linguado só que de olhos.
para o que cílios, sua permanência pequena, silly lady?

(o oculista falou que precisa de colírio pra justo quem tem tanto dom de lá grimar!)

29 marzo 2005

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amor é o que se atiça se puxa esfrega e gasta.
com a dor se faz o mesmo, e ainda assim não dá rasgo
(nem num nem noutro).

aprende que a tessitura é forte.

houve dolore d’amore? ouve:
que te importa?

deixa um para cuidar do outro,
esquece tua cabeça palavra besta,
que te serpenteia os signos.

for preciso pensar,
pensa apenas nas línguas latinas,
quando as palavras rimam,
quando a dor tem olor de amor maior.

(diz não ao teu ego, nêga).

dorme feito quem sabe o segredo do dicionário,
de seus embaralhados verbetes sendo a vida;
sonha feito quem não sabe o alfabeto,
com tamanho de saber de muito mais;
acorda feita de novo,
abre olhos ávidos, de gema fugida: s,ê pássaro,

s,ê cavalo novo.
,

16 dicembre 2004

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Canção de quase dama

Eu quero te escrever longa e concisamente. Talvez umas letras para a melodia que me deste em segredo. Eu só posso te escrever calma e furiosamente, procurando a flor que brota na tempestade que essas coisas me dão. Pode ser que ela se esconda, e só vejas raios e tormenta. Mas o mais provável é que eu te ponha diante de um jardim. Que na verdade só existe no dia seguinte, que logo vira dia anterior pois nunca é meu hoje. Queres me encontrar em um não-dia, para que conheças um sopro de mim? É quase um véu. Mas não tem problema, eu acho, que penses em mim uma noiva. O que farei do meu estado de dama? Devo falar baixo, sorrir de metade, não ter os pés calejados? Há algum jeito de aprender e, vejo em mim, certa vontade. Dessa escrita que te devo, para a suspeita canção.